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Processo de desenvolvimento de uma campanha/editorial fotográfico – WUP (Wil Unified Process)

WUP (Wil Unified Process) – campanhas/editoriais

 

Fazendo uma analogia a metodologia de desenvolvimento de softaware da Rational, chamada RUP (Rational Unified Process), apliquei estes conceitos para trabalhos fotográficos criando WUP (Wil Unified Process – super original né… rs). Nesta primeira edição começarei mostrando um pouco de como se desenvolve uma campanha de moda de porte pequeno, em alguns momentos farei comentários da aplicação para editoriais de moda. Defini como “porte pequeno” um trabalho a qual a execução será feita em um dia de trabalho na própria cidade.

 

Descrição do gráfico:

Este gráfico traz no eixo X (linha) a linha do tempo, reportando as fases de uma campanha, agrupadas em Concepção, Planejamento, Execução e Finalização. E no eixo Y (coluna) os perfis de profissionais envolvidos, sendo que o cruzamento das informações mostra a quantidade de esforço envolvido por determinado profissional em cada fase da campanha.

 

Concepção: é nesta fase que o cliente ou principal interessado, junto com a agência de publicidade, tem a ideia de  realizar determinado trabalho fotográfico. Em muitos casos o tema é definido somente entre cliente e agência e repassado para os restante do time. Mas pode acontecer, que, depois de definido o tema do job, praticamente todos os outros profissionais podem vir a participar desta fase. Aqui também é definido talvez a coisa mais importante de todas, o CONCEITO, pois é através dele que o trabalho será direcionado. Portanto, devem entender 100% o conceito, para cada um fazer seu melhor, dentro de suas habilidades.

Entende-se por agência como sendo tanto uma agencia tercerizada, um setor dentro da empresa do cliente, ou pode-se não ter uma agência envolvida, mas este papel acaba sendo feito por algum outro profissional.

Para o caso de editoriais, sem fins lucrativos, onde o objetivo é mostrar o trabalho de todos os envolvidos dando-se total liberdade, todos devem participar da concepção, mas claro que esta liberdade deve ser respeitada pela não fugir do tema do trabalho.

A produção executiva, que muitas vezes é feita pela produção de moda (aqui chamado de stylist), deve participar como o gerente de todo o trabalho, isto é, coordenando as pessoas, fiscalizando prazos, contratando modelos, recursos, controlando tudo para se atingir o objetivo, resumindo, fazer acontecer.

O stylist participa na concepção para contribuir com ideias de composições de figurino.

Na concepção, o fotógrafo tem a visão de iluminação, composição, cores, posições, locações, etc, que irá contribuir na definição de várias decisões. O fotógrafo também precisa se informar em quais mídias serão utilizadas as fotos, para saber os enquadramentos possível de serem utilizados na execução.

O tratador de imagens pode participar em parceria com o fotógrafo, determinando o que será possível fazer na pós produção, para chegar no efeito desejado pelo cliente. Pode até definir como o fotógrafo deverá fotografar, para, por exemplo, ajustar imagens para fazer uma fusão de fotos a posteriori.

No final desta etapa temos o briefing, contento de uma maneira geral, uma descrição de todo o trabalho.

 

Planejamento: aqui todos os profissionais irão planejar como, quando, onde e o que irão precisar para fazer sua parte do trabalho no dia da execução.

O cliente e agência participam muito pouco, pois já delegaram suas coordenadas para quem irá colocar a mão na massa.

A produção executiva, participa ativamente ajudando a todos envolvidos com o detalhamento das informações necessárias para a execução. Lembrando que a produção executiva deve ter super bem definido, o cliente espera do trabalho, lembrando sempre do CONCEITO. Também o produtor executivo, busca as contratações do restante dos fornecedores envolvidos indiretamente do trabalho, como o catering por exemplo.

É nesta fase que faz-se o casting para escolha dos modelos, a produção executiva fica responsável por isso, e tem liberdade para escolher, baseado no briefing gerado na concepção, mas pode também usar opiniões dos colegas na escolha.

No planejamento, o stylist vai correr atrás de todos as roupas e acessórios, seja buscando em acervo próprio ou emprestando em lojas e parceiros. Para uma campanha de determinada marca de roupa por exemplo, deve tomar o cuidado de não envolver marcar concorrente nos acessórios, ou que estas marcas não se sobreiam à principal. Já num editorial, deve-se ser mais multimarcas possível, para não caracterizar um editorial, com uma campanha de uma marca exclusiva. E assim, também divulga várias marcas num mesmo job.

O fotógrafo busca os equipamentos necessários, desde flashes, rebatedores, difusores, máquinas de efeitos, assistentes, carrega baterias para os equipamentos, etc.

Aqui fotógrafo, tratador de imagem e maquiador/cabelereiro podem conversar para passar detalhes técnicos de tipo de iluminação e de maquiagem.

Detalhes como cabelo armado, onde o fotógrafo deverá ter cuidado com a luz de cabelo, para não “estourar” a luz na translucidez dos fios soltos de cabelo. Aí pode-se definir se o cabelo fica caído e o fotógrafo usa a luz de cabelo forte, ou se o cabelo fica armado sem luz de cabelo, ou esqueça regras e faça a luz de cabelo forte no cabelo armado para estourar propositalmente mesmo.

Para pele, pode-se opinar por contrastar menos na maquiagem, pois depois o tratamento será mais contrastado e resultará na imagem que o maquiador imaginou.

Determinar luz cheia tirando mais imperfeições da pele, ou luz contrastada para dar volume, mas aparecendo mais imperfeições, que deverá ter mais atenção do maquiador ou do tratador…  Só por favor não falem o tempo todo, “depois corrige no photoshop”…rs

Este foram somente alguns pequenos pontos de exemplo que devem ser levados em consideração, podemos aprofundar muito aqui as particularidades envolvidas entre fotografia e maquiagem/cabelo.

 

Execução:  O dia de colocar em prática tudo que foi planejado até o momento. Lembrando que como estamos lidando com um trabalho artístico e muitas vezes lúdico, não existe uma fórmula perfeita (e nem deve existir) para o trabalho. Mesmo para campanhas onde devemos seguir a risca a solicitação do cliente, permitimos, sempre que possível usar de nossa criatividade para inovar sempre. Para os editoriais, podemos criar mais na execução, visto que temos a liberdade (ou deveríamos ter) para expressar nossas vontades profissionais, claro que sem prejudicar todo o trabalho. Portanto o espírito de equipe e companheirismo deve obrigatoriamente fazer parte, sempre.

Aqui temos um dia corrido para todos, modelos e maquiador acordando de madrugada para ficar algumas horas nos preparativos, equipe correndo para todos os lados para deixar tudo pronto.

O CLICK – este momento podemos chamar de divisor de águas de todo o trabalho… Viram a quantidade de coisas que tiveram que ser feitas para chegar-se até aqui? E tudo que ainda falta fazer? Muitas pessoas imaginam que uma produção fotográfica se resume a somente este momento, de apertar o botão da câmera e tudo está pronto, ledo engano.

Na execução precisamos da maior sintonia entre todos os envolvidos, pois o trabalho tem que fluir, temos vários looks para fotografar, todos profissionais precisam do seu tempo para preparar e retocar e trocar tudo, claro que cada respeitando o tempo de todos.

Stylist prepara, passa roupa, veste modelo, beauty prepara/retoca modelo, modelo vai pro set e fica em posições muitas vezes desconfortáveis, fotógrafo posiciona luz, testa luz, dirige modelo, verifica enquadramentos, composição, e tudo mais que se faz para uma boa foto.

Nesta fase, podem aparecer outros profissionais, como catering, motorista, assistentes, pessoas envolvidas inderetamente, como dono de uma locação emprestada, por exemplo. Também podemos ter equipe de filmagem para fazer a campanha visual junto com a fotográfica, bem como cinegrafistas para filmar o making-of do trabalho, além de outros fotógrafos para fotografar o making-of também.

 

Finalização: Aqui a maioria dos profissionais estão reduzindo suas participações dando lugar para os profissionais de pós produções.

Cliente acompanha o resultado bruto das fotos para escolher as imagens finais. Sendo editorial o fotógrafo pode escolher por conta, ou escolher junto com os outros envolvidos.

A produção executiva já não tem uma obrigação formal de atuar mais, delegando os controles finais para a publicidade. Lembrando que produção executiva muitas vezes é feita por profissionais da própria agência de publicidade.

O stylist devolve todas as roupas e acessórios utilizados para a sessão de fotos.

Aqui entra o tratamento de imagens, que pode ser feito pelo próprio fotógrafo, ou por um tratador especializado. Sem sombra de dúvidas um tratador é o profissional mais preparado para esta tarefa, mas como falei, o fotógrafo que tem um conhecimento adequado, pode incorporar esta atividade.

É neste momento que as correções de detalhes, sujeiras, eventual fusão, aplicação de layer, etc, são feitos. Também deve-se gerar a imagem no perfil de cor adequado par cada mídia, caso contrário, pode arruinar todo um trabalho. Por exemplo, sRGB para internet, CMYK para impressão em off-set. Saliento aqui, que a conversão CMYK é bem mais complexa que se imagina, e muitas vezes feitas de forma errada por falsos profissionais, resultando em cores completamente erradas na impressão final.

Eu particularmente acho de suma importância o fotógrafo saber tratar suas fotos, para entender a fundo como trabalha um tratador de imagens. Antigamente, um bom fotógrafo conhecia do processo de revelação e ampliação de imagens, hoje no mundo digital, o fotógrafo tem que pelo menos, conhecer todos os processos que acontecem depois de seu clique, desde os tratamentos, conversões e impressões, para garantir que o que está saindo como produto final é o que ele imaginou.

E por fim, estas fotos serão diagramadas em diferentes mídias, desenvolvidas artisticamente por designers que trabalham com conceitos avançados de comunicação, para satisfazer da melhor maneira, as espectativas do cliente.

Resumindo… Para um único dia de trabalho numa campanha de pequeno porte, a qual, a maioria das pessoas pensam que o custo é somente de 8hrs de trabalho, vemos que a quantidade média total de horas gastas pode chegar a quase 300hrs, somando-se os esforços de todos aqui citados. Considerando horas de outros profissionais não listados, mas também envolvidos, como assistente, catering, cinegrafistas, bookers, estes valores podem duplicar ou triplicar. Claro que para quem for usar a planilha de horas com objetivo de custear seu trabalho, deve-se considerar somente as horas que serão contratadas, portanto as horas do cliente, por exmeplo, não devem ser consideradas.

Este artigo é apenas um rápido overview do processo, baseado no conhecimento de um fotógrafo, então, meus comentários das outras áreas são mais superficiais e com chances de não estarem corretos.

Em breve aplicarei esta metodologia para fotografia de casamento, que tem uma complexidade maior.

Wil Koetzler

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